O principal erro

 Os atletas que almejam performance têm algo em comum: eles querem ser mais rápidos. Seja para conquistar uma vaga para algum mundial, seja uma prova específica ou apenas para comparar seus treinos e ver evolução. Contudo, nessa ânsia infindável pela melhora, pode acontecer um erro grave. Eles treinam forte demais.

Alguns querem quebrar seu recorde pessoal a cada sessão, outros precisam confirmar que estão progredindo de imediato, principalmente por insegurança… Esse, justamente, é o principal erro: esquecer que para se construir um resultado excepcional a perseverança é o principal ingrediente. Perseverança temperada com ímpeto e desejo de vitória, é verdade. Mas apenas a impulsividade não é suficiente sem o condicionamento.

Uma regra geral que podemos observar nos atletas bem-sucedidos é que eles passam grande parte de seu treinamento, cerca de mais de 80%, abaixo do seu limiar anaeróbico (=LAN).  Nesses 80%, incluem-se o aquecimento, exercícios de técnica, soltura e também treinos principais.

Isso significa que se você for iniciante e começar a treinar corrida, provavelmente verá que sua frequência cardíaca subirá muito depressa.  Ou seja, provavelmente logo estará acima de seu limiar.  Já um atleta bem treinado poderá correr rápido e ainda estar abaixo de 90% de seu máximo, de seu limiar.

2 lições disso: 1) a intensidade é individual para cada organismo. 2) A preferência é que a maior parte do treinamento total seja executado abaixo do LAN.

Voltando ao exemplo acima, o iniciante deveria progredir mais lentamente, caminhar em intervalos regulares até conseguir suportar bem a corrida contínua. E o bem condicionado teria diferentes tipos de velocidades e ritmos para treinar sem sobrecarga excessiva.

Sobre exatas porcentagens, intensidades e tipos de treino não convém dizer aqui, mas posso usar um exemplo individual.  Tenho dados de toda minha carreira de treino. Adivinhe qual a maior faixa de tempo que passei treinando na vida?  Precisamente Entre 3 e 10 bpm abaixo do LAN foi aonde passei a maior parte de toda minha preparação.

Por que?  Porque força o meu corpo a trabalhar em relativas altas intensidades, metabolizado o exercício de forma eficiente,  sem haver desgaste extremo e mesmo assim manter uma técnica de movimento muito próxima da minha total habilidade. Além disso, , esse tipo de treino expande minha velocidade crítica, que uso em competições.

Em números, para os curiosos, posso correr tranquilamente a 4min/km, dependendo do dia, e estar 10 batimentos abaixo desse LAN. Outros dias pode ser que esteja cansado, desidratado de um treino de transição e corra a quase 5min/km.   Não me preocupo muito, obedeço o proposto, pois quero tirar o melhor proveito de cada instante que estou treinando.

Como conclusão gostaria que soubessem as faixas de treinamento subjetiva de vocês e saibam quando passaram desse limiar ou não. Não extrapolarem suas zonas programadas. Porque todos os melhores triatletas que conheci não o fazem.  E são persistentes.

Anos treinado o formarão máquinas de processar energia e poder usufruir de vários tipos de intensidades. Você ganha  propósitos específicos para suas faixas de treino. Velocidade, ritmos, capacidades, etc.

Ouvindo o corpo, coletando dados, respeitando a subjetividade pode-se atingir o potencial máximo. Dando passos apressados, pulando fases, não. Nesse caso até teríamos uma melhora significativa rápida, mas um longo platô na sequência.

Seja sábio e alinhe sua mente e corpo. Processe e absorva o treinamento como deve ser.

Bons treinos,   Guilherme Manocchio

Nota: O que escrevo aqui é direcionado aos esportes longa duração.